Eu não trato de cicatrizes apenas porque estudo sobre elas. Eu também precisei olhar para a minha e reaprender a confiar no meu corpo.

Eu também já estive nesse lugar: sentindo aquele frio na barriga depois de uma cirurgia, mesmo quando, por fora, tudo parecia estar evoluindo bem.

O corpo começa a cicatrizar, os exames avançam e a rotina tenta voltar. Mas a mente ainda pode sentir medo.

Medo de levantar, dormir de lado, dirigir, trabalhar, sentir dor ou fazer algo “errado”.

Como Fisioterapeuta, estudo cicatrização, mobilidade e recuperação. Mas, como paciente, vivi pausas, limites e a insegurança de perceber que o medo não pergunta sobre diplomas.

Foi nessa vivência que meu olhar para o cuidado com cicatrizes se intensificou ainda mais.

Porque uma cicatriz não envolve apenas pele e tecido. Ela pode carregar memórias, desconfortos, inseguranças e a necessidade de voltar a confiar no próprio corpo.

Hoje, meu trabalho vai além da técnica: envolve avaliação individualizada, orientação segura e um retorno gradual ao movimento, respeitando o tempo e a história de cada pessoa.

Você não precisa acelerar o processo para provar que está bem.
Recuperar também é se sentir segura para voltar a viver em movimento. 🤍